quinta-feira, 5 de novembro de 2009



Ser reencontrado

Mês do bem-aventurado Tiago Alberione (festa litúrgica: 26 de novembro)


Lc 15,1-10

Certa ocasião, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram perto de Jesus para o ouvir. Os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus, dizendo:
- Este homem se mistura com gente de má fama e toma refeições com eles.
Então Jesus contou esta parábola:
- Se algum de vocês tem cem ovelhas e perde uma, por acaso não vai procurá-la? Assim, deixa no campo as outras noventa e nove e vai procurar a ovelha perdida até achá-la. Quando a encontra, fica muito contente e volta com ela nos ombros. Chegando à sua casa, chama os amigos e vizinhos e diz: "Alegrem-se comigo porque achei a minha ovelha perdida."
- Pois eu lhes digo que assim também vai haver mais alegria no céu por um pecador que se arrepende dos seus pecados do que por noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender.
A moeda perdida
Jesus continuou:
- Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la, não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. E, quando a encontra, convida as amigas e vizinhas e diz: "Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida."
- Pois eu digo a vocês que assim também os anjos de Deus se alegrarão por causa de um pecador que se arrepende dos seus pecados



Comentário do Evangelho

A alegria é a marca do encontro

Lucas apresenta neste Evangelho duas parábolas sobre a misericórdia: a do pastor que, com carinho, vai atrás da ovelha perdida e a da mulher que cuidadosamente procura a moeda perdida. A alegria é a marca do encontro
final. Estas parábolas são expressão do amor de Deus para com os excluídos. Diante de Jesus estão publicanos e pecadores, com interesse em escutá-lo, e fariseus e escribas que murmuram contra ele. Os primeiros são condenados pelas normas jurídicas da Torá, porém estão no caminho do Reino. Os outros são os favorecidos pela Torá, mas rejeitam a Jesus. Uns e outros são chamados à conversão, a se libertarem das estruturas políticoreligiosas
opressoras e a aderirem à prática amorosa de Jesus, que a todos quer introduzir no Reino de Deus.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009




Jesus tem consciência da sua missão

Leitura Orante



Lc 13,31-35



Naquele momento alguns fariseus chegaram perto de Jesus e disseram:
- Vá embora daqui, porque Herodes quer matá-lo.
Jesus respondeu:
- Vão e digam para aquela raposa que eu mandei dizer o seguinte: "Hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho."
E Jesus continuou:
- Mas eu preciso seguir o meu caminho hoje, amanhã e depois de amanhã; pois um profeta não deve ser morto fora de Jerusalém.
- Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe manda! Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! Agora a casa de vocês ficará completamente abandonada. Eu afirmo que vocês não me verão mais, até chegar o tempo em que dirão: "Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor!"


Comentário do Evangelho

Nada amedronta Jesus

Caminhando para Jerusalém, Jesus atravessava cidades e povoados. No caminho, esclarecia os discípulos sobre a rejeição da parte do judaísmo, que se julgava povo eleito, e de sua acolhida entre os gentios, exprimindo-o com a frase: "Eis que há últimos que serão os primeiros, e primeiros que serão os últimos". Então se aproximaram de Jesus alguns fariseus, comunicando-lhe que Herodes queria matá-lo. Será que vêm como amigos que querem ajudar, ou com malícia para intimidarem Jesus? Em sua resposta, Jesus mostra que não se amedronta diante de ameaças. E, ainda mais, o que está para acontecer é que serão os próprios chefes religiosos de Israel que articularão a sua morte. Jesus o exprime com a advertência sobre Jerusalém, a capital do judaísmo: é a cidade que mata os profetas
e rejeita os que se empenham na promoção da vida e na construção da paz















segunda-feira, 26 de outubro de 2009



Jesus cura a mulher encurvada

Leitura Orante



Lc 13,10-17


Certo sábado, Jesus estava ensinando numa sinagoga. E chegou ali uma mulher que fazia dezoito anos que estava doente, por causa de um espírito mau. Ela andava encurvada e não conseguia se endireitar. Quando Jesus a viu, ele a chamou e disse:
- Mulher, você está curada.
Aí pôs as mãos sobre ela, e ela logo se endireitou e começou a louvar a Deus. Mas o chefe da sinagoga ficou zangado porque Jesus havia feito uma cura no sábado. Por isso disse ao povo:
- Há seis dias para trabalhar. Pois venham nesses dias para serem curados, mas, no sábado, não!
Então o Senhor respondeu:
- Hipócritas! No sábado, qualquer um de vocês vai à estrebaria e desamarra o seu boi ou o seu jumento a fim de levá-lo para beber água. E agora está aqui uma descendente de Abraão que Satanás prendeu durante dezoito anos. Por que é que no sábado ela não devia ficar livre dessa doença?
Os inimigos de Jesus ficaram envergonhados com essa resposta, mas toda a multidão ficou alegre com as coisas maravilhosas que ele fazia



Comentário do Evangelho

A prática de Jesus humaniza

Esta narrativa, exclusiva de Lucas, revela a ação libertadora de Jesus, que se choca com a atitude legalista e hipócrita do chefe da sinagoga. Este está apegado à observância religiosa do sábado, com a qual adquire boa consciência e prestígio. Para ele, esta observância, que não o impede de fazer o bem aos animais, está acima do bem que se pode fazer a uma pessoa. A mulher, tomada por um mau espírito, encurvada e totalmente incapaz de
olhar para cima, representa a comunidade submissa da sinagoga, humilhada e sem iniciativa. Ao ser libertada no dia de sábado, está sendo libertada também da própria lei que a oprime. Readquire sua estatura normal e sua dignidade, humanizada pela prática de Jesus. O mundo de hoje é o espaço para acontecer estas maravilhas de Jesus.


sábado, 24 de outubro de 2009




Chances e cuidados de Deus

Leitura orante



Lc 13,1-9


Naquela mesma ocasião algumas pessoas chegaram e começaram a comentar com Jesus como Pilatos havia mandado matar vários galileus, no momento em que eles ofereciam sacrifícios a Deus. Então Jesus disse:
- Vocês pensam que, se aqueles galileus foram mortos desse jeito, isso quer dizer que eles pecaram mais do que os outros galileus? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram. E lembrem daqueles dezoito, do bairro de Siloé, que foram mortos quando a torre caiu em cima deles. Vocês pensam que eles eram piores do que os outros que moravam em Jerusalém? De modo nenhum! Eu afirmo a vocês que, se não se arrependerem dos seus pecados, todos vocês vão morrer como eles morreram.
Então Jesus contou esta parábola:
- Certo homem tinha uma figueira na sua plantação de uvas. E, quando foi procurar figos, não encontrou nenhum. Aí disse ao homem que tomava conta da plantação: "Olhe! Já faz três anos seguidos que venho buscar figos nesta figueira e não encontro nenhum. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar tirando a força da terra sem produzir nada?" Mas o empregado respondeu: "Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo. Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mande cortá-la."



Comentário do Evangelho

Mais um tempo!

Esta evocação de fatos recentes como motivação para o ensinamento de Jesus é um caso único nos Evangelhos, só ocorrendo aqui. A notícia da morte dos galileus, a mando de Pilatos, foi provavelmente trazida a Jesus por fariseus que queriam intimidá-lo. Os galileus foram mortos porque eram subversivos; Jesus, galileu também, visto como subversivo, corria igual perigo. As mortes, no desabamento da torre, eram interpretadas como castigo de
Deus. Porém, nenhum dos mortos era mais pecador do que os demais moradores de Jerusalém. Pecar é rejeitar a conversão. Contudo, Deus é longânime. A figueira (Israel) não está produzindo figos (rejeita a conversão). Mas lhe será dado um tempo, na espera de que venha a dar fruto.



quinta-feira, 22 de outubro de 2009




Divisão ou opção por Jesus


Leitura Orante



Lc 12,49-53


Jesus continuou:
- Eu vim para pôr fogo na terra e como eu gostaria que ele já estivesse aceso! Tenho de receber um batismo e como estou aflito até que isso aconteça! Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos, contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas, contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras, contra as sogras



Comentário do Evangelho

Jesus veio lançar o fogo do amor

Em uma seqüência de instruções aos discípulos, Lucas apresenta estas sentenças de Jesus, com as palavras chave: fogo, batismo, divisão. O contexto é o do fim do ministério de Jesus e das dificuldades que os discípulos
enfrentarão em sua missão. João Batista anunciara que Jesus batizaria no Espírito Santo e com o fogo. O Espírito é o amor de Deus infundido nos corações. O fogo era, tradicionalmente, o símbolo do julgamento, dentro da visão apocalípticaescatológica; a palha, separada do trigo, seria lançada ao fogo. Contudo, nas palavras de Jesus, em vez de condenação, o fogo que ele veio lançar é o fogo do amor, identificado com o Espírito, que deveria tomar toda a terra. O batismo pelo qual Jesus anseia é a consumação da sua obra de anúncio do Reino, na qual o Pai é glorificado. E a glória do Pai se completará com a continuidade da missão pelos discípulos. A divisão que Jesus traz é a ruptura com a paz do mundo submisso aos poderosos. A família, célula da sociedade e também célula de reprodução do judaísmo, comumente identifica-se com esta paz. Jesus, com seu Reino de amor, propõe algo novo que abala a paz tradicional

quarta-feira, 21 de outubro de 2009



Consequências da fidelidade


Leitura Orante



Lc 12,39-48

Lembrem disto: se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão viria, não o deixaria arrombar a sua casa. Vocês, também, fiquem alertas, porque o Filho do Homem vai chegar quando não estiverem esperando
Então Pedro perguntou:
- Senhor, essa parábola é só para nós ou é para todos?
O Senhor respondeu:
- Quem é, então, o empregado fiel e inteligente? É aquele que o patrão encarrega de tomar conta da casa e de dar comida na hora certa aos outros empregados. Feliz aquele empregado que estiver fazendo isso quando o patrão chegar! Eu afirmo a vocês que, de fato, o patrão vai colocá-lo como encarregado de toda a sua propriedade. Mas imaginem o que acontecerá se aquele empregado pensar que o seu patrão está demorando muito para voltar. E imaginem que esse empregado comece a bater nos outros empregados e empregadas e a comer e a beber até ficar bêbado. Então o patrão voltará no dia em que o empregado menos espera e na hora que ele não sabe. Aí o patrão mandará cortar o empregado em pedaços e o condenará a ir para o lugar aonde os desobedientes vão.
- O empregado que sabe qual é a vontade do patrão, mas não se prepara e não faz o que ele quer, será castigado com muitas chicotadas. Mas o empregado que não sabe o que o patrão quer e faz alguma coisa que merece castigo, esse empregado será castigado com poucas chicotadas. Assim será pedido muito de quem recebe muito; e, daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido.



Comentário do Evangelho

Estar preparados e vigilantes

Ainda dentro da vigilância escatológica, à espera do fim dos tempos, Lucas apresenta mais estas duas parábolas. Elas são também encontradas em Mateus, com a afirmativa final de condenação, que lhe é característica: "Ali haverá choro e ranger de dentes". As referências aos castigos cruéis refl etem a cultura em vigor nas comunidades sob a influência do Primeiro Testamento, que fi zeram a memória de Jesus. O inesperado da vinda de Jesus, o Humano ("Filho do Homem"), não se refere ao tempo cronológico, mas à maneira desta vinda. Estar preparado é perceber a presença de Jesus nas pessoas carentes e necessitadas e servi-las, entrando em comunhão com o próprio Jesus

terça-feira, 20 de outubro de 2009





Preparar-se para ser feliz

Leitura Orante


Lc 12,35-38

E Jesus disse ainda:
- Fiquem preparados para tudo: estejam com a roupa bem presa com o cinto e conservem as lamparinas acesas. Sejam como os empregados que esperam pelo patrão, que vai voltar da festa de casamento. Logo que ele bate na porta, os empregados vão abrir. Felizes aqueles empregados que o patrão encontra acordados e preparados! Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o próprio patrão se preparará para servi-los, mandará que se sentem à mesa e ele mesmo os servirá. Eles serão felizes se o patrão os encontrar alertas, mesmo que chegue à meia-noite ou até mais tarde



Comentário do Evangelho

Estar vigilantes e empenhados

Na pregação apostólica, um dos principais conteúdos era a proximidade da parusia, ou seja, da volta iminente de Jesus para o juízo final. Nesta expectativa havia um empenho em viver autenticamente a fé nas comunidades. Porém, com o passar do tempo, sem nada ocorrer e sem sinais próximos da parusia, o ardor das comunidades começa a esfriar. Os evangelistas empenham-se então em reanimá-las, mantendo acesa a chama desta expectativa. Estar acordado, de prontidão, em trajes de serviço e com as lâmpadas acesas significa estar atento e praticando a vontade
de Deus, unido e servindo à comunidade no anúncio da Palavra. Por duas vezes é proclamada a bem-aventurança dos que assim estiverem. O próprio Senhor vai trajar-se para o serviço e os servirá à mesa. A afi rmação
embra o "lava-pés" do Evangelho de João. Hoje, as comunidades, conscientes da presença de Jesus no seu meio, movidas pelo amor e vigilantes, empenham-se na construção do mundo novo